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segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Roberta Sá - "Quando o Canto é reza" (2010)

Disco de Roberta Sá e Trio Madeira Brasil revela o rico universo musical do compositor baiano Roque Ferreira.

(Imagem: Reprodução/Universal)
“Quando o Canto É Reza” é resultado do encontro da cantora Roberta Sá e do Trio Madeira Brasil (de Marcello Gonçalves, Zé Paulo Becker e Ronaldo do Bandolim) com o universo musical de Roque Ferreira. Numa “celebração à deusa música”, eles revelam a versatilidade do compositor baiano no disco que chega às lojas em agosto com 13 canções – oito delas inéditas, em um lançamento Universal Music / MP,B.

O álbum é uma rica mistura entre a simplicidade da música de Roque com os arranjos sofisticados do Trio Madeira Brasil e com uma interpretação marcante de Roberta Sá. O ponto de partida para a realização do projeto foi o encantamento dos quatro artistas pela obra de Roque, que já foi gravado por artistas como Clara Nunes, Maria Bethânia, Alcione e Zeca Pagodinho.

Na busca pelo repertório, Roberta Sá e Marcello Gonçalves foram ao encontro de Roque Ferreira em Salvador, ano passado. De lá partiram para Nazaré das Farinhas, cidade natal do compositor, no Recôncavo Baiano, onde o próprio Roque não ia desde os 10 anos, quando mudou-se para a capital. 

Depois de três anos de pesquisas e da viagem, Roberta Sá e o Trio Madeira Brasil experimentaram o repertório em quatro antológicos ensaios abertos, realizados em janeiro de 2010 no Centro Cultural Carioca. A ideia inicial era produzir um CD só com inéditas, mas ao longo do projeto foram incluídas cinco músicas que já haviam sido gravadas, mas com versões diferentes.

(Foto: Reprodução/Internet)
Com produção de Pedro Luís e direção musical de Marcello Gonçalves, “Quando o Canto É Reza” abre espaço para a música instrumental, bem equilibrada com a voz de Roberta Sá. O álbum tem participação especial de Moyseis Marques, em duo com Roberta na faixa Tô Fora, e traz sucessos de Roque em versões bem diferentes das originais, como Água da Minha Sede, que deu nome a um dos discos de Zeca Pagodinho, e Mandingo, parceria do compositor com Pedro Luís gravada por Pedro Luís e A Parede no CD “Ponto Enredo”.

“Quando o Canto É Reza” passeia por diferentes ritmos, como coco, maxixe, samba carioca, maracatu, ijexá, ciranda, afoxé, samba-choro e samba-de-roda. O disco, que transita com delicadeza entre a música popular e a erudita, também desvenda a alegria de Roque Ferreira e o rico repertório de temas que suas letras ilustram.


“QUANDO O CANTO É REZA” - FAIXA A FAIXA

1 - Mandingo (Roque Ferreira / Pedro Luís)

A música, gravada pela PLAP (Pedro Luís e A Parede) no disco “Ponto Enredo”, aparece aqui na sua intenção original de samba. A introdução mistura o toque africano dos tambores a uma fuga bachiana nas cordas. A música foi escolhida para abrir o disco porque dá o sentido de “disco de banda”, com forte presença instrumental e a voz tendo também a função de instrumento dentro dos arranjos, como acontece na volta da introdução no final. É uma das poucas músicas de Roque Ferreira em tom menor.

2 - Chita Fina (Roque Ferreira)


É um samba-de-roda clássico, onde aparecem elementos característicos, como o prato-e-faca do percussionista Zero e a levada sincopada no violão de 7 cordas de Marcello Gonçalves, inspirada na escola violonística de Gilberto Gil e Roberto Mendes. Destaque para o solo de viola caipira de Zé Paulo, violonista de formação erudita que acabou criando um estilo próprio de tocar viola.

3 - Zambiapungo (Roque Ferreira / Zé Paulo Becker)


O arranjo traz uma musicalidade emotiva, explorando os recursos de dinâmica, indo do silêncio ao forte, com direito ao coro e palmas característicos dessa cultura, que aparecem no disco só nesta faixa. Destaque para os geniais contrapontos de bandolim de Ronaldo.

4 - Cocada (Roque Ferreira)


Originalmente um samba-de-roda, no disco a música se transforma em um maxixe carioca, com direito a uma referência ao forró sugerida pela zabumba de Paulino. Aqui o bandolim de Ronaldo faz seu primeiro improviso.
5 - Água da Minha Sede (Roque Ferreira/ Dudu Nobre)


Gravada originalmente por Zeca Pagodinho como samba carioca, ganha aqui uma versão entre o maracatu e a ciranda, e um andamento mais lento, valorizando sua melodia, que parece flutuar por sobre a batida marcial das percussões. A voz de Roberta Sá aparece novamente como um instrumento, no final, dobrando com o naipe bandolim-viola.


6 - Orixá de Frente (Roque Ferreira)


É um samba-choro bem carioca, que mostra o fascínio de Roque pelo Rio de Janeiro em contraposição à letra com referências baianas do candomblé. Destaque para o improviso de Ronaldo e para as nuances de dinâmica.

7 - Água Doce (Roque Ferreira)



A música simboliza e dá título ao disco. O arranjo procura traduzir a emoção da letra de Roque Ferreira e seu caráter de oração, com o violão de 7 cordas de Marcello e a voz de Roberta apresentando a melodia ainda sem ritmo, para aos poucos os outros instrumentos se somarem e o ritmo de afoxé lento se definir.

8 - Menino (Roque Ferreira)


A música se aproxima do afoxé clássico, mas tem um ritmo particular, dançante, que não é definido nem por Roque nem por seus intérpretes. Tem influência do ifá, o candomblé cubano. É a outra música do repertório em tom menor.

9 - Tô Fora (Roque Ferreira)

Com participação especial de Moyseis Marques, a música mostra a aproximação do Roque com o Rio de Janeiro, dessa vez inclusive na letra. No meio há uma modulação para o solo dos dois violões em naipe, voltando ao tom dos cantores sem preparação, recurso só possível graças à grande musicalidade de Roberta e de Moyseis.

10 - Xirê (Roque Ferreira)

É um samba-de-roda, dessa vez com o xequerê de Zero participando da condução. Aqui as palmas não aparecem em seu desenho tradicional, mas dialogando com a levada do violão de 7 cordas de Marcello. Novamente a voz de Roberta funciona como instrumento dentro do arranjo.

11 - Marejada (Roque Ferreira)

Traz apenas as cordas do Trio Madeira Brasil com a voz de Roberta Sá. O lirismo da música é acentuado pelos arpejos; a introdução e os finais são voltados para essa sugestão lírica, com a dobradinha de vocal e bandolim apenas.

12 - A Mão do Amor (Roque Ferreira)

Maria Bethânia gravou um trecho da música, como introdução para outra canção. Neste arranjo é nítida uma influência latina. A percussão que predomina é o bongô de Zero e o agogô de Paulino, que brincam com o tempo nas pausas.

13 - Festejo (Roque Ferreira)

É a outra música do disco somente com Roberta Sá e Trio Madeira Brasil. Todos os elementos sincopados do samba-de-roda estão aqui presentes, tanto nas cordas como na própria melodia. A diferença é que aqui não temos a percussão para dar o “chão”, dando ao arranjo uma sonoridade singular, como se toda a música estivesse “no ar”. O efeito das cordas abafadas, tocando em pizzicato, junto com a voz de Roberta, que também canta com outra intenção, merecem destaque. A citação final do Samba pras Moças a traz de volta à sua intenção original de samba-de-roda.

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