FACEBOOK

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

MEMÓRIA | IMPACTO CINCO

Por Evan Morais no site O INIMIGO 


Na década de 60, após escutar um disco dos Beatles, Etelvino Caldas resolveu largar tudo para montar uma banda. Detalhe que o tudo para ele era sua vida de seminarista e suas funções eclesiásticas em Natal (RN). Não se tem notícia de qual disco dos meninos de Liverpool ele escutou que o fez mudar tanto, mas com certeza, independente de qual tenha sido, fez toda a onda que varria o mundo na época passar como um furacão em uma voracidade absurda pela sua cabeça. Assumiu o comando de instrumentos como piano elétrico, sintetizador, órgão, além de fazer também os vocais. Se juntou à Lulinha (vocais), Joca Costa (guitarra), Clauton (bateria, percussão e vocais) e Poty Lucena (baixo e vocais) para formar o Impacto Cinco, grupo que pode ser considerado um dos pioneiros do rock no Rio Grande do Norte.

Logo o quinteto ganhou fama e sucesso entre os jovens potiguares como banda de baile, tocando sempre em matinês dominicais na sede do ABC Futebol Clube, com apresentações que chegavam a durar cerca de cinco horas. Foram esses longos shows, os anos de estrada e a experiência adquirida no disco anterior – Impacto V, lançado em 1973 – que fizeram a banda ter segurança suficiente na hora de gravar o álbum seguinte. Lágrimas Azuis foi gravado em 1975, produzido pelo também potiguar, mas radicado no Rio de Janeiro, Gileno Azevedo. Mais conhecido como Leno, da dupla Leno & Lilian. Leno na época era produtor daCBS Records e conhecia bem a capacidade do Impacto Cinco, já  que tinha produzido o primeiro disco deles. Assim os levou até os estúdios da CBS onde gravaram em cerca de uma semana o disco. Na época era considerado pouco tempo, mas a competência e a segurança de anos tocando juntos, permitiram que isso fosse possível.

Durante esse tempo a CBS  tinha em seu cast artistas nacionais consagrados como Roberto Carlos e internacionais como Aerosmith. E estava disposta em apostar uma ficha no grupo potiguar. Segundo Etelvino, em entrevista ao jornalista Rodrigo Hammer da revista Brouhaha, publicada em sua edição de número três, o Impacto Cinco era “Algo muito a frente para a época”. Analisando nos dias de hoje o que era produzido na época, pode-se concluir que a banda se encontrava realmente em uma posição bem interessante. Acima de muita coisa que vinha sendo produzida e que não devia nada a outras de maior expressão no cenário nacional. Mas eles não eram os únicos que estavam a frente da época, tanto que o disco teve uma divulgação fraca, assim como foi baixa as suas vendas, fazendo que o grupo retornasse para sua terra de origem para dar segmento a  carreira como banda de baile e chegar a ser subestimada por alguns desavisados da riqueza musical contida no Lágrimas Azuis.

Mesmo sem ter obtido sucesso na época, o Lágrimas Azuis é hoje um disco muito cobiçado entre colecionadores, disputadíssimo em sites especializados e de leilões internacionais, chegando a custar mais de 100 euros em sites gringos. Das onze faixas que formam o disco, apenas cinco são composições do Impacto Cinco (“Fuga, “Viver Triste”, “Lágrimas Azuis”, “Um Bom Lugar” e “Muito Tempo de Som”). Completam o trabalho mais três músicas de Leno em parceria com Raul Seixas (“Tudo Vai Mudar (amanhã)”, “Carmem, Carmem” e “Sentado no Arco-Íris”); Um cover  de “Sabado”, de Frederyko, ex-guitarrista da banda Som Imaginário, que também apareceu no primeiro disco do Impacto Cinco; “Lembranças”, composta por Raulzinho e C.H. Gonçalves; E a excepcional “Mãos de Seda, Coração de Ferro”, que abre o disco, composta pelo piauiense Piska e que se insere rapidamente no sistema auditivo, onde cria vida e fica lá, tocando por muito tempo. Mesmo sendo composta por pessoas diferentes, as músicas do “Lágrimas Azuis” parecem ter vindo de uma mesma origem, tanto que não se percebe diferenças entre composições do Leno e Raul Seixas com uma do Impacto Cinco ou dos demais colaboradores. O nível é o mesmo no trabalho,  isso até mostra a qualidade que o trabalho do Impacto Cinco possuÍa.

or fim, A capa do disco traz os integrantes da banda na frente, e quase todos fumando, jogando muita fumaça na imagem, lembrando algumas capas de bandas como Creedence Clearwater Revival, Secos e Molhados e Grand Funk Railroad, por exemplo. Coisa que vinha sendo tendência nas capas de discos de bandas que estavam em sucesso nos anos setenta.impacto cinco.


BAIXE O CD CLICANDO NA CAPA
(1973) Impacto V

BAIXE O CD CLICANDO NA CAPA
(1975) Lágrimas Azuis

BAIXE O CD CLICANDO NA CAPA
(1983) Rio Potengi

0 comentários:

Postar um comentário